terça-feira, 18 de março de 2008

Outono

....O frio, lentamente que fosse, impôs-se naquele dia como se fosse sólido. Fez do mundo completamente outro. E dessa vez, a primeira, ela o viu com alguma ternura. Talvez porque, neste ano, livrara-se de todas as amarras, aquelas de corpo e alma, e conseguiu abrir a janela emperrada que dava ao mundo. O melhor: foi recebida por ele com um sorriso de lado a lado.

Mas e o frio? Pela primeira vez viu que não era dele a culpa por seus pesares; ele apenas os deixava mais intensos. Agora, livre tanto de seu passado longínquo quanto do recentíssimo, o viu como uma catarse necessária. Como se um tornado, depois de ter destruído toda uma cidade, tivesse deixado o recado: eis o terreno limpo, pronto para novas construções....



Outono, seja mais que bem-vindo. Até porque, quando chamares seu irmão mais velho e mal-humorado, o inverno, provavelmente migrarei (será?) para o hemisfério de lá.

4 comentários:

Wilson Guerra disse...

O outono nos é sinal de maus presságios, por anticipar o inverno, normalmente associado a menos vida.
Mas por que não pensar no inverno como o sinal de nova vida vindoura, já que precede a primavera em seu eterno retorno?
O que seria o primavera e do verão sem o outono e o inverno?

(Dialética sazonal? hauahhahau)

Wilson Guerra disse...

* antEcipar (antes que você me destrua!)

Maíla disse...

Se inverno for sinal de vida vindoura, é a vida vindora, e não o inverno, que é o lado bom da coisa.

(por favor, dialética não me convence.)

Wilson Guerra disse...

A sensação que é boa. Tipo, uma sexta-feira sabe? Ou véspera de feriado (que nessa semana serão as duas coisa... êeeeeee)!