domingo, 25 de maio de 2008

Arte como desfamiliarização

Paul Cézanne - Lac d'Annecy - 1896.

"Vivemos em meio aos objetos construídos pelos homens, entre utensílios, casas, ruas, cidades e na maior parte do tempo só os vemos através das ações humanas de que podem ser os pontos de aplicação... A pintura de Cézanne suspende estes hábitos e revela o fundo de Natureza inumana sobre a qual se instala o homem... a paisagem aparece sem o vento, a água do lago sem movimento, os objetos transidos hesitando como na origem da Terra. Um mundo sem familiaridade... Só um humano, contudo, é justamente capaz desta visão que vai até as raízes, aquém da humanidade constituída... O artista é aquele que fixa e torna acessível aos demais humanos o espetáculo de que participam sem perceber."

Merleau-Ponty sobre Cézanne. Seleções da Marilena Chauí no seu Convite à Filosofia.

3 comentários:

Wilson Guerra disse...

Uau!

Wilson Guerra disse...

ps.: ultimamente meus comentários têm se limitado a expressões exclamativas! hauaahauaauahau

Maíla disse...

de duas uma: ou falta do que dizer ou a comoção é tanta que não é descritível.

(tomara q seu caso seja a última opção)