domingo, 11 de maio de 2008

Dilacerando-se

Enfiou a mão na boca e foi buscar no estômago toda raiva que juntou até ali. Tirou de si um bolo que fedia a enxofre. Esculpiu aquilo, fazendo uma pedra informe, e deixou secar ao sol. Usaria a obra para talhar o crânio do primeiro que lhe perguntasse, mesmo sabendo a resposta, pelo porquê daquilo tudo. Escorria ácido por seus poros: quem a desejava era corroído até o osso. Ela era uma bacante, e ai do Penteu que tentasse escutar de perto seus rugidos!

Silêncio! Deixem-na gerar esse filho amargo que carrega em si. O filho está morto em seu ventre, mas ela não sabe e espera ansiosa pelo nascimento. Deixem-na devorar a si própria em rancor, quando perceber que os meses cheios do seu afeto foram ilusão. Silêncio! Ouçam seus gemidos de morte, quando ela souber do fim.

5 comentários:

Denis Forigo disse...

engraçado... acho que o que vc escreve parece bastante (na forma) com os textinhos do "Morto Ataíde", uma personagem minha que ficou para trás... acho que tem algum textinho no Forsign... o blog era mortoataide.blogspot.com.

Maíla disse...

E no conteúdo mórbido, né?
Mas esse clima não é (sempre) meu. E espero que nem seu. ;)
Li muito por cima teu mortinho. Verei com mais calma depois, tá?

Wilson Guerra disse...

Fase "Maíla nas trevas". Impiracamente, isso é cíclico em você. Os ciclos estão com freqüência menor. Deve ser um bom sinal. :)

Maíla disse...

Fase Maila Nurmi, que aliás era loira. Conhece? (pergunte ao google).
Será q mamãe se inspirou nela ao me nomear?
(e a tua, será que previu o sucesso que seria o seu nome? hahaha)

Wilson Guerra disse...

É só um nome de "guerra" hauahauahauahuah